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Investimentos e taxa Selic: com os juros baixos, vale aplicar em renda fixa?

Por 17 de fevereiro de 2020janeiro 22nd, 2021Sem comentários

Investimentos e taxa Selic são dois assuntos que caminham lado a lado. Como as aplicações em renda fixa têm os ganhos atrelados à taxa básica de juros, muitas pessoas passam a ter receio de recorrer a esse tipo de modalidade por acreditar que, desse modo, estarão perdendo dinheiro. Neste artigo, vamos mostrar para você se compensa investir em renda fixa com a taxa Selic baixa.

Para começar, o que é a taxa Selic?

A taxa Selic é um valor definido pela equipe econômica do governo com base na análise da inflação, das contas públicas, da atividade econômica, do cenário externo e das operações de mercado aberto. Ela nada mais é do que os juros pagos pelo governo em troca dos recursos tomados dos investidores que aplicam em títulos do Tesouro.

Quer dizer, para ter acesso a recursos, o governo vende títulos que, após certo tempo, são liquidados com base na taxa básica de juros, a taxa Selic. Ela é importante para a economia porque, além de definir a rentabilidade dos títulos públicos, ainda baliza todos os outros investimentos e operações de crédito. Afinal, para que o rendimento seja positivo e para que o crédito dê lucro, os juros precisam estar acima do valor da Selic.

Desse modo, uma das funções da taxa Selic é regular a inflação: quanto maior os juros, espera-se que a inflação recue como consequência do desestímulo ao crédito. Quando os juros estão baixos, há um cenário de provável estabilidade econômica, porque a inflação também tende a estar baixa. O problema é que, neste caso, os investimentos em renda fixa podem ser vistos como pouco interessantes.

Porém, isso não é totalmente verdade, e nós vamos entender o porquê disso agora!

Vale a pena investir em renda fixa com a Selic baixa?

Sim, por mais que investimentos e taxa Selic não estejam trabalhando juntos para uma rentabilidade comparável a fundos multimercados, por exemplo (que oferecem uma cesta de aplicações), a renda fixa é benéfica ― e necessária ― por conta de três fatores: reserva de emergência, diversificação de investimentos e reserva de oportunidade. 

Sobre a reserva de emergência, o nome já diz bastante coisa. Não ter aplicações financeiras pode ser catastrófico para as suas contas diante de algum imprevisto, então, não é um cenário possível. Aplicar apenas em renda variável também é bastante arriscado porque a rentabilidade pode ser muito positiva, mas essa modalidade pode fazer você perder muito dinheiro em pouco tempo, caso não haja uma administração adequada da estratégia de investimentos.

Assim, a renda fixa é aquela segurança essencial para que qualquer situação de surpresa não provoque abalos significativos no planejamento financeiro pessoal. Além disso, elas possuem uma liquidez bem superior a outros tipos de investimentos.

A diversificação de investimentos tem a ver com o que falamos antes, sobre a volatilidade da renda variável. Por mais que ela possibilite um acúmulo maior de recursos, isso de maneira alguma é uma garantia, muito menos em curto ou médio prazo. Diversificando, o investidor pode arriscar na Bolsa de Valores ao mesmo tempo que não corre o risco de redução de patrimônio, já que há um montante em outra aplicação com garantias e segurança mais elevada.

Por fim, há a reserva de oportunidade. Trata-se de um estoque de capital alocado em renda fixa para ter liquidez diante de momentos em que surgem boas oportunidades. Por exemplo: se acontecer uma greve de grandes proporções, como a recente Greve dos Caminhoneiros, muitas ações acabam tendo o valor bem reduzido.

Quem tem uma reserva de oportunidade em renda fixa, pode recorrer a esse recurso de maneira ágil e prática para aproveitar a situação, já que esta é uma modalidade de aplicação que, como dissemos, garante mais segurança e liquidez. Assim, o investidor pode utilizar o contexto a seu favor e comprar bons papéis a preço baixo, conquistando mais tarde uma boa rentabilidade em renda variável. 

Investimentos e taxa Selic precisam ser observadas à luz da inflação

Você já deve ter ouvido falar que a poupança é um investimento em renda fixa que coloca o poupador em uma situação de perda financeira, certo? Alguns especialistas costumam dizer que ela é, na verdade, deficitária. Porém, se ela paga juros (ainda que reduzidos) e mais a Taxa Referencial, por que dizem isso? Bom, a resposta é inflação.

A lição é conhecida: se a aplicação rende o mesmo ou menos que a inflação do período, então houve perda financeira. Diante disso, é fundamental que essa mesma lição seja aplicada a todas as outras aplicações em renda fixa. Investimentos e taxa Selic não são os únicos personagens dessa conta.

Veja só: em 2015, a taxa Selic chegou a 14,25%, enquanto a inflação estava em 10,67%. O problema é que, naquele contexto, investimentos e taxa Selic não estavam exatamente em um cenário tão promissor quanto parecia. A conta para chegar a essa conclusão é a seguinte:

Rendimento real: 14,25 – 10,67= 3,58%

Agora perceba o cenário para 2020, por exemplo, quando a taxa Selic chegou a 4,25% e a inflação está em torno de 3,60%.

Rendimento real: 4,5% – 3,6% = 0,65%.

A diferença de rentabilidade real da taxa Selic entre 2015 e 2020 não é de aproximadamente 10%, mas apenas de pouco mais de 3%. Ou seja, a diferença de ganhos na renda fixa com a taxa Selic alta ou baixa é menor do que a própria diferença da porcentagem dos juros básicos da economia.

Trocando em miúdos: aplicar em renda fixa com a taxa Selic alta não é tão mais benéfico do que apostar nesse tipo de investimento com a Selic baixa. Claro, a inflação sempre precisa ser levada em consideração e estar em um patamar semelhante para chegar a esse resultado.

Se renda fixa continua sendo bom, em quê investir?

Ainda que investimentos e taxa Selic baixa não seja um cenário favorável para uma boa rentabilidade, entre as próprias aplicações em renda fixa existem muitas diferenças para você optar pelo que há de melhor nessa modalidade. O rendimento, naturalmente, varia de aplicação para aplicação, e precisa ser verificado. Qualquer centésimo a mais ou a menos é muito relevante!

Outra questão a ser verificada é a segurança, afinal, ela é o principal benefício da renda fixa sobre a variável. E caso o seu objetivo de aplicar em uma alternativa conservadora seja fazer uma reserva de emergência ou de oportunidade, considerar a liquidez é essencial também.

Neste caso, há duas opções bastante interessantes: uma são as debêntures emitidas por securitizadoras. Com boa liquidez, elas são mais seguras que as debêntures negociadas em corretoras porque são lastreadas em vários títulos de dívidas. Outra opção é o FIDC (Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios).

Aliás, os fundos são vistos por especialistas como a grande sacada para ter bons ganhos na renda fixa em tempos de Selic baixa. Nesse cenário, o FIDC figura como uma das rentabilidades mais positivas entre aplicações similares e é altamente confiável. Ainda que o valor precise ficar em um médio prazo rendendo, um grande diferencial do FIDC é a cobrança de IR, aplicável somente ao valor resgatado, não à totalidade dos rendimentos.

Ou seja, com o FIDC você paga menos IR, tem uma boa rentabilidade entre as opções em renda fixa e a segurança que todo investidor procura em uma aplicação conservadora. Para conhecer melhor, faça o download do nosso e-book sobre esse tipo de investimento.

 

 

Esperamos que este artigo tenha sido esclarecedor e possa ajudá-lo a fazer bons investimentos. Caso precise de algum suporte ou queira conversar sobre o assunto que tratamos aqui, fique à vontade para entrar em contato conosco. Se preferir, você pode deixar o seu comentário no espaço abaixo. Estamos sempre à disposição para atendê-lo!

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