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Conheça o custo de um colaborador endividado para a sua empresa

Por 26 de agosto de 2019dezembro 17th, 2019Comentário
Custo de um colaborador endividado

As engrenagens que movimentam uma empresa são seus colaboradores. Como as máquinas, é fundamental que essas peças fundamentais para o bom funcionamento das atividades estejam em perfeito estado. E isso não é possível quando o funcionário trabalha carregando alguma angústia. É nesse contexto que percebemos o custo de um colaborador endividado.

 

Porque, por mais que possamos comparar profissionais a máquinas ― pelo simples fato de permitirem o funcionamento das operações ― a verdade é que essa analogia é injusta. Isso porque estamos falando de pessoas, com seus próprios medos, angústias, alegrias e emoções. E as dificuldades financeiras impactam esses sentimentos de uma maneira profunda.

 

Neste artigo, vamos tratar sobre o custo de um colaborador endividado, o que a empresa pode fazer para driblar essa situação e alguns aspectos técnicos sobre o comprometimento da folha de pagamento. São informações úteis, capazes de auxiliar tanto na sua gestão financeira quanto na gestão de pessoas.

O custo de um colaborador endividado

Um levantamento feito com base em dados da Pesquisa de Amostra de Domicílios (POF/IBGE) mostra que alimentação, habitação, transportes, vestuários e lazer chegam a comprometer 94,6% do orçamento da população com renda de um salário mínimo. Assim, a margem para endividamento adequada da maioria das famílias seria de 5,4%.

 

Entretanto, o princípio constitucional referente à dignidade da pessoa humana e do mínimo essencial à sobrevivência (art. 1º, III da CF/88) recomenda que o máximo de comprometimento que uma pessoa deve ter dos seus proventos é de 30%. Ou seja, ainda que haja um limite estabelecido constitucionalmente, ele é muito superior ao que seria efetivamente recomendável.

 

Diante desse contexto, fica claro analisar o custo de um colaborador endividado. Mesmo considerando que a pessoa recebe mais do que apenas um salário mínimo ― e, portanto, possa ter dívidas superiores a 5,4% do seu salário ―, entrar numa situação de aperto financeiro é muito fácil, mas sair dele é complicado. Afinal, as contas não param só porque há dívidas a serem pagas.

 

Essa dificuldade cria conflitos na rotina da pessoa endividada, justamente porque ela está com a mente nos próprios problemas, mesmo que não queira. Se a situação conduz ao extremo de impactar no que ela põe à mesa e interfere no pagamento de despesas básicas, como água e luz, a realidade por ser causa de profunda preocupação e angústia.

 

Pesquisas apontam que o custo de um colaborador endividado fica evidente no menor foco na execução das atividades diárias, na redução da produtividade e no aumento do número de faltas e atrasos.

 

O problema é que, assim, a pessoa prejudica também os colegas e coloca em risco o próprio emprego. Até porque uma baixa produtividade faz a empresa rever a disposição de manter aquele profissional ativo. Isso causa um dilema a todos: por um lado, a empresa só tem a perder se manter um profissional improdutivo; por outro, o desemprego pode só agravar ainda mais a situação.

 

Entretanto, mesmo a demissão não é uma resolução prática para resolver o custo de um colaborador endividado. As obrigações trabalhistas com a demissão e uma nova contratação para ocupar o posto vago oneram as finanças da empresa, sem contar o período de treinamento do novo funcionário que interferirá no tempo para a produtividade total ser retomada.

 

Sendo assim, o melhor caminho é realmente evitar esse desagradável caminho da demissão. Se for possível reintegrar o colaborador à sua paz financeira, ele já tem o conhecimento dos processos para imediatamente voltar a produzir, sem gerar outros custos para o negócio. 

O que fazer para resolver o problema de funcionários endividados

De acordo com a Lei 10.820/2003, além dos obrigatórios (Imposto de Renda, INSS, adiantamento salarial etc.), o limite máximo de descontos voluntários na folha de pagamento não pode ultrapassar 40%. Entre esses voluntários podem estar inclusos despesas sindicais, assistência médica e previdência privada, por exemplo.

 

Contudo, caso a empresa ofereça algum benefício de crédito consignado, este não deve consumir mais que 30% do salário líquido do profissional. Mesmo em contratos diferentes e com autorização expressa do colaborador para desconto em folha, nenhuma instituição financeira pode ceder mais que essa porcentagem de crédito, sob o risco de ser penalizada.

 

Em resumo, o desconto máximo da folha de pagamento é de 70%. Pela lei, o colaborador precisa receber, no mínimo, 30% dos proventos em espécie. Porém, esse valor sequer é suficiente para atender às necessidades mais básicas de alguém. Assim, é preciso haver um programa de conscientização para que as pessoas entendam a melhor forma de conduzir as finanças pessoais e o uso do crédito consciente. A seguir, apresentamos algumas ideias do que é possível fazer!

1 – Ofereça palestras e treinamentos sobre finanças pessoais

Chamar algum especialista, economista, ou mesmo alguém do financeiro da empresa para apresentar algumas orientações de planejamento financeiro é o primeiro passo. Muitas vezes as pessoas se endividam porque não sabem organizar o próprio orçamento ou tendem a ignorar alguns elementos básicos da administração das contas.

 

Alguns desses elementos são a desconsideração do peso dos pequenos gastos nas contas do mês (como cigarro, lanches, aplicativos de carona etc.), o uso inconsciente do crédito (sem se dar conta de que crédito não é dinheiro disponível, e que será necessário pagar depois), a falta de uma cultura de poupança e o desconhecimento dos investimentos existentes.

 

Quando uma pessoa entende que é preciso catalogar exatamente tudo o que compra, mesmo o pão de queijo do meio do expediente, usar crédito apenas dentro da sua capacidade financeira e investir de acordo com seu perfil de investidor, muitos dos problemas podem ser resolvidos.

2 – Ouça seu colaborador

Muitas vezes o endividamento pode ser consequência de alguma situação emocional. Sendo assim, é fundamental que essa pessoa tenha uma orientação profissional para saber lidar com a dificuldade que vem enfrentando. 

 

Em todo departamento de gestão de pessoas há um profissional de psicologia. Organize a agenda dele para que haja um espaço frequente na rotina para ouvir e prestar assistência aos colaboradores endividados. Além de ser um sinal de que a empresa está preocupada com o bem-estar dos funcionários, eles podem ter o encaminhamento correto de acordo com a situação.

 

É o profissional de RH que conhece os programas e facilidades da empresa e as maneiras que é possível efetivamente auxiliar a pessoa. Contudo, se o problema estiver fora do alcance de uma ajuda do seu negócio, ao menos será possível oferecer alguma orientação.

3 – Não dê crédito. Dê benefícios

O crédito consignado é uma facilidade que deve estar à disposição para que os colaboradores evitem alternativas mais desvantajosas, como o cheque especial. Ainda assim, embora positivo, é um recurso emergencial. O ideal é que, nos treinamentos de finanças pessoais, os funcionários aprendam a importância de criarem suas próprias reservas de emergência.

 

Desse modo, o ideal é que sejam oferecidos benefícios para auxiliar o colaborador em suas despesas, e que isso seja sempre reforçado como um suporte da empresa para organização das contas pessoais dele. Algumas dessas facilidades podem ser um plano de previdência privada, plano de saúde, assistência odontológica, bônus e gratificações.

Educar é a melhor maneira de mudar hábitos

O custo de um colaborador endividado vai muito além da questão financeira para os envolvidos. Ele tem um forte componente emocional que precisa ser tratado para o bem-estar de todos: da empresa, dos clientes, dos colegas e da própria pessoa em dificuldades. 

 

Uma ideia adicional é promover atividades dentro da própria empresa que estimulem a poupança, a economia, o desapego ao consumo e os novos hábitos de vida. Isso é possível com atividades que garantam bonificações em troca do acúmulo de bons resultados, palestras sobre reciclagem e reutilização (que desmistificam a lógica do consumo desenfreado) e ações como ginástica laboral e yoga (que apresentam novos hábitos e promovem tranquilidade e saúde).

 

O importante nisso tudo é entender que ninguém gosta de estar endividado e que os contextos são individuais, precisam ser conhecidos e respeitados. Porém, é preciso haver boa vontade do próprio colaborador de aceitar o empenho da empresa em lhe ajudar. A mudança de atitudes é algo fundamental e depende do autoesforço para que tudo seja resolvido satisfatoriamente.

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